Um biodiesel de microalga

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Pesquisadores do Laboratório de Engenharia Bioquímica, Biorrefino e Produtos de Origem Renovável (LEBBPOR) da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp testaram na tarde desta terça-feira (30), pela primeira vez no Brasil, um biodiesel produzido a partir de microalga. O biocombustível é o resultado de um projeto colaborativo entre o LEBBPOR e a Petrobras, que durou cinco anos e que envolveu a participação de diversos estudantes de pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado), sob a coordenação da professora Telma Teixeira Franco.

De acordo com a docente, o projeto compreendeu pesquisas com diferentes abordagens, mas que se complementaram. Os membros da equipe investigaram desde a identificação e isolamento da microalga até os processos de produção do biodiesel, passando pelos métodos de cultivo do microrganismo. “Um dos estudos que desenvolvemos analisou o uso de vários resíduos, como o melaço, como substrato para a alimentação da microalga”, exemplifica Telma Teixeira Franco.

O microrganismo que deu origem ao biodiesel cresce em resíduos ricos em açúcares, continua a professora. Depois de cultivá-lo, os pesquisadores extraíram dele o óleo, que posteriormente foi transformado em biodiesel. “Nosso objetivo foi este, mas as microalgas podem fornecer compostos para o desenvolvimento de diversos produtos, como etanol e pigmentos, entre outros.”

Segundo o doutorando Renato Sano Coelho, responsável pela pesquisa que gerou o biodiesel, um dos desafios que tiveram que ser superados foi a ampliação tanto do crescimento quanto da concentração do microrganismo no substrato. “Normalmente, o índice de concentração gira em torno de 0,1%. Nós conseguimos aumentar essa taxa para 10%, o que representa uma produtividade excelente”, explica.

Renato Coelho afirma, ainda, que testes feitos no laboratório mostraram que o biodiesel produzido a partir da microalga atende às principais especificações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sendo que suas características são similares às do biodiesel comercial. No teste realizado nesta terça-feira, os pesquisadores utilizaram uma van convencional movida a diesel fóssil, pertencente à Universidade. Eles acrescentaram 7% de biodiesel por litro diesel, como determina o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), formulado pelo governo federal. O desempenho do veículo durante o teste de rua não sofreu qualquer interferência.

Conforme a professora Telma Teixeira Franco, embora o projeto relacionado ao biodiesel de microalga esteja terminando, fica a expectativa de que as pesquisas tenham continuidade, de modo a tornar o biocombustível viável comercialmente. “Para isso, uma das etapas a serem cumpridas é a do escalonamento. Temos que migrar da escala laboratorial para a industrial, superando os desafios naturais desse tipo de processo”, pontua.

Além da docente e do doutorando Renato Coelho, estiveram envolvidos com o projeto os seguintes pós-graduandos: Juliana Prestes Lorensi, Julio César de Melo, Annamaria Dória Tomato Peña e Jonathan Wagner, sem contar os pesquisadores que já passaram pelo LEBBPOR e que hoje estão atuando em empresas privadas ou como professores em diferentes universidades brasileiras.

Fonte: Um biodiesel de microalga | UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas