Tarifa de ônibus em Campinas vai para R$ 4,50

178
A tarifa do transporte coletivo de Campinas vai ficar 18,4% mais cara a partir de 7 de janeiro.Cedoc/RAC

A tarifa do transporte coletivo de Campinas vai ficar 18,4% mais cara a partir de 7 de janeiro.

A tarifa do transporte coletivo de Campinas subirá para R$ 4,20 a partir de sábado para quem usa o Bilhete Único. O valor atual é de R$ 3,80. Para pagamento em dinheiro o custo da passagem será de R$ 4,50. As empresas de transporte queriam, no mínimo, uma tarifa de R$ 4,80 e afirmam que o novo valor não garante o equilíbrio econômico-financeiro do sistema. Até o final do mês, o prefeito Jonas Donizette (PSB) vai anunciar o valor do subsídio que será dado à tarifa este ano, de R$ 60 milhões, uma redução de 36,8% em relação ao que foi pago em 2016.
Já os bilhetes Escolar e Universitário passarão a ter os descontos de 40% e 50% respectivamente não mais sobre a tarifa cheia, mas sim sobre o preço do Bilhete Único. Assim, o passe escolar custará R$ 1,68 e o universitário, R$ 2,10. O vale-transporte custará R$ 4,50. O reajuste deixa a tarifa cheia 18,4% mais cara, um aumento real de 10,9%, descontada a inflação do período.
Integração
O sistema integração também sofrerá mudanças. Quem fizer a segunda integração dentro do período de duas horas perderá o desconto de R$ 0,30 no Bilhete Único. Quem vier, por exemplo, do Parque Floresta até o Terminal Campo Grande e de lá fizer a integração para o Centro e usar o Bilhete Único, pagará R$ 4,20. Mas se do Centro ele for para Barão Geraldo, fazendo a segunda integração, vai perder o desconto de R$ 0,30 e esses percursos, com mais de uma integração feitos em duas horas, custarão R$ 4,50. A grande maioria dos passageiros que fazem integração usa o Bilhete Único e perderá o desconto se fizer a segunda integração.
Essas mudanças nos descontos e a majoração da tarifa acima da inflação, segundo o secretário de Transportes Carlos José Barreiro, foram definidas visando à redução dos aportes que a Prefeitura tem feito para segurar o valor da tarifa. “A crise econômica, que corroeu as finanças municipais, não permitirá que a Prefeitura faça aportes significativos para as empresas, incluindo o sistema alternativo, que operam o transporte coletivo público e o Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI), como ocorreu nos últimos três anos”, disse.
Subsídio
No domingo, após a cerimônia de posse, Jonas explicou porque reduzirá o subsídio da tarifa. “Hoje vivemos uma realidade econômica de queda de receita, que não mais permite garantir o subsídio como vinha sendo feito. O ideal seria não fazer nenhum aporte no sistema, mas alguma coisa teremos que bancar para que os usuários não sejam penalizados com uma tarifa alta”, afirmou.
[TEXTO]A Prefeitura está ainda trabal[/TEXTO]hando nos cálculos, mas Barreiro adiantou que o subsídio deverá ficar na faixa de R$ 15 milhões por trimestre, ou seja, R$ 60 milhões no ano. “Isso se as condições econômicas do País não piorarem. Se cair mais ainda, teremos que rever esse subsídio”, disse.
Os estudantes já preparam protestos contra o aumento da tarifa. A vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Cris Grazina, disse que apresentar o aumento na virada do ano, impossibilita um debate franco com a sociedade. “O reajuste foi vultuoso, bem acima da inflação, fixado sem qualquer diálogo com os setores interessados, entre eles os estudantes”. Atos e iniciativas de protesto estão sendo elaboradas junto a grêmios, centros acadêmicos e entidades do movimento social da cidade.
Manifestações
O subsídio ao sistema de transporte coletivo começou a aumentar a partir de 2013, quando ocorreram manifestações em todo o País contra os preços praticados pelo transporte. Em julho daquele ano, Jonas havia reduzido a tarifa de R$ 3,30 para R$ 3,20, após o governo federal ter zerado a cobrança das alíquotas do PIS e da Cofins. Naquele mesmo mês ele fez uma segunda redução, para R$ 3,00, já levando em conta o momento de conflito que havia no País e o clamor da população.
Isso levou a ampliar o valor do subsídio dado ao sistema, para garantir a operação e o equilíbrio econômico das empresas. Desde o ano passado, Jonas vem fazendo estudos para cortar o subsídio, mas mesmo agora em que as finanças municipais estão combalidas, ele vai manter o financiamento às empresas, só que em valores menores. Para zerar o subsídio, a tarifa teria que ser muito elevada.
Segundo Barreiro, além do aumento dos insumos do transporte coletivo, como pneus, diesel, o sistema vivência uma queda no volume de passageiros transportados. Já houve, em consequência disso, uma redução na frota e, afirmou, não é possível tirar mais ônibus de circulação, porque isso deixaria a população desassistida.

Fonte: Correio Popular