Refugiados se concentram em 4 áreas de Campinas, diz Prefeitura; veja histórias

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Administração contabiliza 1,6 mil imigrantes que estão em situação vulnerável. Moradores relatam busca por recomeços no Brasil, após guerras e conflitos religiosos nos países onde nasceram.

Refugiados contam histórias de recomeço em Campinas

Campinas (SP) tem 1,6 mil imigrantes e refugiados em situação considerada vulnerável, de acordo com a Prefeitura. A maioria deles deixou para trás o país onde nasceu, a família e referências culturais para buscar recomeços, sobretudo em virtude de guerras e conflitos religiosos.

Dados do Departamento de Cidadania mostram que, deste total, aproximadamente 500 fizeram pedido para refúgio, processo que pode levar até cinco anos. À espera dos registros definitivos, eles estão concentrados no Centro e distritos de Barão Geraldo, Campo Grande e Ouro Verde.

A maioria dos imigrantes tem como origem o Haiti, mas no município também há estrangeiros com raízes em países latino-americanos, africanos, da região do Oriente Médio, além dos asiáticos.

O serviço de apoio ao imigrante na cidade recebe média de 15 pessoas por mês para intermediar documentação, abrigo e trabalho. Em meio à crise econômica nacional, a dificuldade aumenta.

“O impacto do desemprego atinge todos os segmentos. Nós temos hoje a maior parte dos imigrantes refugiados que vivem em Campinas estão desempregados”, explica o diretor de Cidadania em Campinas, Fábio Custódio.

Sírio Suhib Zinou lembra de bombardeios em Alepo (Foto: Reprodução / EPTV)

Sírio Suhib Zinou lembra de bombardeios em Alepo (Foto: Reprodução / EPTV)

Recomeços

Para o sírio Suhib Zinou, o passado mistura saudade e tristeza. Engenheiro civil, ele já foi dono de uma empresa de elevadores em Alepo. A guerra, porém, fez com que ele e a família fugissem para o Brasil. “Todo dia, tudo bomba”, lembra em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.

Apesar das dificuldades com o idioma, há três anos abriu um restaurante. Vive nova história.

“Agora tenho boa vida, não tenho problema”, ressalta Zinou.

Jose Ortiz explica que deixou a Venezuela por causa de questões políticas e para conseguir atendimento médico. “Minha mulher, como tem problema de diabetes, eu pensei que é melhor ficar aqui, porque tem medicina de graça”, explica.

Já o imigrante Atif Emanuel mudou-se do Paquistão para Campinas há um ano. Ele perdeu um braço após ser baleado e conta que a agressão ocorreu porque ele é cristão e tentou ter um relacionamento amoroso como uma muçulmana. Agora, busca vaga de trabalho na cidade.

“Aqui é liberdade. Brasil é um país bom para nós”, destaca.

Hanook Jazed trabalha em padaria de Campinas (Foto: Reprodução / EPTV)

Hanook Jazed trabalha em padaria de Campinas (Foto: Reprodução / EPTV)

Outro estrangeiro que saiu do Paquistão há um ano é Hanook Jazed, de 24 anos. Ele lembra que sofria perseguição religiosa e precisou deixar para trás os pais e irmãs. À época, cursava o quarto ano da faculdade de medicina, e agora busca sustento com serviço em uma padaria de Campinas.

“Foi muito difícil quando eu cheguei aqui no Brasil. Eu lembro até agora que passei dois, três dias com fome, não comi nada, Eu e meu irmão”, explica. Os amigos destacam a força de vontade dele.

“Muito corajoso e bem determinado”, pondera a colega Dayanne Israel. O sonho de Hanook é trazer a família para o Brasil. “Aqui tem muita liberdade, todo mundo ajuda.”

Fonte: Refugiados se concentram em 4 áreas de Campinas, diz Prefeitura; veja histórias | SP / Campinas e Região | G1