Queda no número de usuários de planos de saúde em Campinas afeta atendimentos na rede particular

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Pacientes relatam demora e diminuição dos serviços oferecidos em hospitais privados. Série da EPTV exibe série de reportagens sobre a realidade da saúde no município.

Queda de investimentos provoca danos no sistema de saúde em Campinas

A dificuldade de atendimento, longas esperas e má prestação de serviço não são exclusividades do sistema público de saúde de Campinas (SP). A diminuição no número de usuários de planos também prejudicou a rede privada do município, de acordo com hospitais e especialistas. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde, pelo menos 73 mil pessoas deixaram de pagar convênios na cidade entre 2015 e 2016, o que fez as empresas diminuirem os quadros e serviços prestados.

Os motivos da crise na saúde pública e particular, e a difícil realidade das pessoas que precisam do serviço para sobreviver, são mostradas pela EPTV, afiliada da TV Globo, em uma série de cinco reportagens exibida no Jornal da EPTV 2ª Edição. Confira no vídeo acima o material desta terça-feira (15). Na segunda (14), foi mostrada a realidade do Hospital Municipal Doutor Mário Gatti, uma das principais unidades públicas de Campinas.

Atualmente, cerca de 590 mil pessoas tem plano de saúde em Campinas. Ainda segundo dados da ANS, a Justiça do município registrou 23,1 mil ações contra convênios em 2016. A principal reclamação é a autorização de exames e cirurgias, seguida de problemas em coberturas de um determinado procedimento e suspensões e rescisão de contratos. O cirurgião vascular Leonardo Sodré afirmou que a burocracia incomoda os pacientes e faz alguns até desistirem do atendimento.

“O repasse do convênio muitas vezes é demorado, de 60 a 90 dias, e a tabela de honorário médico muitas vezes é defasada”, disse o especialista.

Hospitais tiveram queda no repasse dos convênios (Foto: Reprodução/EPTV)Hospitais tiveram queda no repasse dos convênios (Foto: Reprodução/EPTV)

Hospitais tiveram queda no repasse dos convênios (Foto: Reprodução/EPTV)

Drama

Muitos pacientes relatam dificuldade para conseguir atendimento em unidades particulares de Campinas. A analista financeiro Tabata Santarelli precisava de uma UTI Neonatal para fazer o parto de seu primeiro bebê, que iria nascer prematuro. No entanto, nenhum hospital tinha uma vaga disponível para convênio.

“Decidimos então que íamos pagar particular. Entramos em contato com a Unimed, tentando o reembolso do dinheiro, mas eles disseram que não seria possível porque eles ofereceram uma leito em Sorocaba, que fica a 80 quilômetros de Campinas”, afirmou o marido de Tabata, Eduardo Leite.

Os moradores também reclamam de atraso no atendimento e diminuição dos serviços na Casa de Saúde, Hospital Beneficência Portuguesa, Samaritano e Centro Médico, que fica no distrito de Barão Geraldo. “Eu não consigo mais pagar, para o aposentado é impossível. Eu me sinto totalmente desprotegida, a gente fica muito preocupado”, afirmou a aposentada Ivair Marcondes.

No caso do Centro Médico, o diretor executivo do hospital afirmou que as empresas de convênio médico mudaram o critério para a realização de alguns procedimentos. “As operadoras de saúde, dentro do que a Agência Nacional de Saúde permite, restringe, através de protocolos, a realização de determinados exames e atribuições que antigamente o pessoal fazia sem muito critério”, explicou José Emílio Duran Bueno.

Sem saída

Segundo o economista Roberto Brito de Carvalho, a demanda menor dos convênios prejudicam os hospitais que dependem daquela renda para sobreviver.

“Não há dúvida que tanto o modelo público como o modelo privado estão falidos. Não interessa se você é usuário do SUS ou de plano de saúde. Quando a dificuldade chega, você vai precisar ser socorrido, e aí você vai sentir na pele a dificuldade”, explicou.

Justificativa

Sobre a reclamação de não haver leito de UTI para Tabata realizar o parto do filho e da não devolução do dinheiro, a Unimed informou que orientou a família sobre não haver essa possibilidade caso o casal rejeitasse as vagas oferecidas em Indaiatuba ou Sorocaba. A empresa ainda afirmou que a viagem seria em uma UTI móvel e com uma equipe médica.

Rede particular de Campinas também apresenta problemas (Foto: Reprodução/Campinas)

Rede particular de Campinas também apresenta problemas (Foto: Reprodução/Campinas)

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