Pastor reage a assalto e é morto em Barão Geraldo

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O pastor chegou a dirigir até a igreja onde foi socorrido por fiéis; foi levado para o HC da Unicamp, mas não resistiuAlenita Ramirez/ AAN

O pastor chegou a dirigir até a igreja onde foi socorrido por fiéis; foi levado para o HC da Unicamp, mas não resistiu

O pastor Ricardo Daniel Lopes, de 41 anos, foi morto a tiros ao reagir a um assalto, na noite de domingo (24), no bairro Arruamento Luiz Vicentim, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Esse é o segundo latrocínio (roubo seguido de morte), registrado neste ano na cidade e o terceiro na Região Metropolitana de Campinas (RMC) — o outro foi em Americana.

A vítima estava com a mulher, uma dona de casa de 41 anos, e um casal de filhos, de 13 e 17 anos. Eles esperavam a igreja abrir dentro do carro, um Honda Civic, quando avistaram dois homens se aproximando a pé. Ele acelerou e um dos criminosos atirou duas vezes. Os disparos atingiram o rosto da vítima, próximo ao maxilar.

Lopes chegou a dirigir por cerca de 150 metros, até a igreja. Foi socorrido por fiéis que chegavam ao local, mas morreu a caminho do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.

A tragédia ocorreu por volta das 19h30 na Rua Ângelo Vicentim. A família é de Goiânia e chegou a Paulínia havia três meses, por conta de transferência do trabalho.

Lopes é engenheiro civil e a família é evangélica. Como é pastor na Igreja Batista, ele, a mulher e os filhos aproveitaram o domingo para conhecer uma unidade da igreja em Barão Geraldo. Como não conheciam a região, a família chegou ao local às 18h38. O culto só começava às 19h30.

“Decidimos esperar no carro. Ficamos conversando”, disse o filho, um estudante de 17 anos.

O carro estava parado perto do salão Paroquial Santa Isabel. Ao avistar os dois homens se aproximando a pé, Lopes percebeu que seria assaltado e acelerou o veículo. O bandido, que estava armado, bateu com a arma no carro e depois atirou duas vezes. Mesmo ferido, ele dirigiu até o estacionamento da igreja e pediu ajuda.

“Só neste momento que percebemos que meu pai tinha sido baleado. Foi horrível. Um rapaz que estava na igreja foi muito bom e nos ajudou. Ele colocou meu pai no carro dele e o levou para o hospital”, contou o adolescente.

Os bandidos fugiram sem levar nada. O crime foi registrado como roubo seguido de morte, no plantão do 4° Distrito Policial (Taquaral), mas será investigado pelo 7° DP, de Barão Geraldo, com apoio do Setor de Homicídio. O corpo do pastor seria levado ainda nesta segunda-feira (25) para Goiânia, onde seria enterrado.

Segundo moradores da região, que não quiseram se identificar, os assaltos no bairro são constantes e ocorrem a qualquer hora do dia. “Após as 18h ninguém sai mais de casa. A gente tem medo de ser assaltado”, afirmou um morador.

Casos

Esse é o segundo latrocínio do ano em Campinas. O primeiro foi no dia 2, quando a advogada e comerciante Cíntia Paula Fávero, de 35 anos, foi morta com várias facadas, uma delas cravada na cabeça, em uma casa na Vila Teixeira.

O autor do crime foi reconhecido por policiais militares através de imagens registradas pelo sistema de vigilância do imóvel. A mulher era sócia em duas óticas, uma em Campinas e outra em Limeira, e o corpo dela foi descoberto pelo ex-namorado, após um funcionário dar falta da vítima.

O suspeito, que é usuário de drogas e tem várias passagens criminais, invadiu o imóvel cerca de cinco minutos antes da vítima chegar e saiu sete minutos depois. Ele alegou para a polícia que comia quando a comerciante chegou. O homem roubou o celular e o trocou em um ponto de drogas.

Em Americana, um casal de amigos de 19 de anos foi morto ao reagir a um assalto durante a festa da virada do Ano-Novo na Praça do Trabalhador, na Avenida Brasil, região central.

Os amigos foram abordados quando entravam no carro. O criminoso foi pego na mesma semana do crime e confessou que roubou o celular do jovem para trocar por drogas. O aparelho foi recuperado.

Fonte: Correio Popular