Greve dos bancários completa 30 dias e população enfrenta problemas

206

São 351 locais de trabalho fechados em Campinas e região, diz sindicato.Serviços indisponíveis prejudicam a população, que busca alternativas.

Greve dos bancários chega a 30 dias (Foto: Murillo Gomes/G1)Greve dos bancários completou um mês nesta quarta-feira (Foto: Murillo Gomes/G1)

A greve dos bancários completou 30 dias nesta quarta-feira (5) e segue sem previsão de chegar ao fim. Como consequência, moradores de Campinas (SP) têm tido problemas para encontrar agências disponíveis e resolver questões que só podem ser resolvidas pessoalmente nos bancos.

De acordo com balanço divulgado pelo Sindicato dos Bancários de Campinas e região na terça-feira (4), são 351 locais de trabalho fechados em cidades da região, sendo 170 apenas em Campinas e outros 181 postos em 35 outras cidades.

O aposentado João Batista Rangel, de 75 anos, vive no Centro de Campinas, mas só encontrou uma agência disponível no Distrito de Barão Geraldo, a aproximadamente 12 quilômetros de sua casa.

Os bancos estão em greve, não entram em um acordo e, enquanto isso, a gente vai passando necessidade”
Damião Jesus dos Santos, desempregado

“Precisava pagar contas, retirar um dinheiro. Fui duas vezes até Barão Geraldo para resolver esses problemas”, diz Rangel.

O aposentado conta que realiza todos os serviços nas próprias agências bancárias, e que a internet não é uma solução. “Eu não tenho internet, nada disso. Não faço pela internet, e nem se tivesse eu faria”, diz Rangel.

O funcionário ferroviário Mário Aparecido dos Reis diz que também andou por diferentes pontos da cidade, até encontrar uma agência disponível no Centro. “Aqui era para ter mais agências. Todos [bancos abertos] são fora de mão. Deveria ter pelo menos duas agências no Centro”, diz Mário.

Indisponível
Para outras situações, a solução será aguardar o fim da greve. É o caso do cozinheiro Damião Jesus dos Santos, que está atualmente sem emprego. “Estou desempregado há dois meses, e não consigo sacar meu FGTS”, diz Damião.

Ele conta que deu entrada ao processo no dia 12 de setembro, quando a paralisação já havia iniciado. “Não é justo [a paralisação], porque acaba prejudicando quem não tem nada a ver com a história. Todo mundo quer aumento, mas tem que encontrar algum outro meio”, diz o cozinheiro.

De acordo com Damião, ele não possui mais recursos para se manter. “Os bancos estão em greve, não entram em um acordo, e enquanto isso a gente vai passando necessidade. Estava aguentando com o que eu recebi da rescisão, mas agora acabou”, conta.

Segundo sindicato, a paralisação está próxima do fim (Foto: Murillo Gomes/G1)Segundo sindicato, a paralisação está
próxima do fim (Foto: Murillo Gomes/G1)

Fim da greve
Está prevista para a tarde desta quarta-feira (5) uma nova rodada de negociações entre o sindicato dos bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos). De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região, Mauri Sérgio Souza, a categoria está confiante por uma possível solução.

“A negociação de hoje é muito importante neste calendário de mobilização e de greve que nós estamos enfrentando. Passados 30 dias de greve, a expectativa é receber uma proposta que deva contemplar os interesses da categoria”, diz Mauri.

Entretanto, uma proposta da Fenaban que atinja os interesses da categoria não deve encerrar com a paralisação imediatamente. Havendo uma nova proposta, ela deve ser discutida em assembleia antes de uma decisão dos grevistas.

“A Fenaban apresenta uma proposta, o Comando Nacional dos Bancários se reúne, faz uma avaliação e mesmo neste quadro, apresentando essa proposta à categoria, as agências permanecem fechadas. Havendo uma proposta, lançaremos ela em nova assembleia, que ainda não tem data”, informa o sindicalista.

Fila em frente à agência bancária aberta no Centro de Campinas (Foto: Murillo Gomes/G1)Fila em frente à agência bancária aberta no Centro de Campinas (Foto: Murillo Gomes/G1)

Alternativas
Mauri informa que, mesmo com as agências de portas fechadas, ainda existem soluções para a população em determinadas questões. “A orientação que nós damos é que tentem resolver os problemas, quando possível, por outros canais que os bancos possuem”, diz.

No momento, a categoria pede paciência para tratar de outros problemas. “O que a gente pede para população é ter um pouco de paciência. Passados 30 dias de greve, a gente tem uma expectativa de uma resolução breve. Pelo lapso temporal, a greve está mais para o final”.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lembra que os clientes podem utilizar caixas eletrônicos para agendamento e pagamento de contas (dentro do prazo), saques, depósitos, emissão de folhas de cheques, transferências e saques de benefícios sociais.

Nos correspondentes bancários (postos dos Correios, lotéricas e supermercados), é possível pagar contas dos serviços públicos, sacar dinheiro/benefícios e realizar depósitos.

Reivindicações
Os bancários reivindicam alta salarial de 14,7%, com piso de R$ 3.940,24, e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários, mais R$ 8.317,90.

Além disso, pedem melhores condições de trabalho, vale-alimentação e auxílio-creche de R$ 880 cada (valor do salário mínimo) e auxílio educação (para graduação e pós).

Fonte: G1 – Greve dos bancários completa 30 dias e população enfrenta problemas – notícias em Campinas e Região