Figueira centenária de Barão Geraldo será mantida

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Ontem, o abaixo-assinado a favor do tombamento da árvore pelo Condepacc possuía quase 11,2 mil assinaturas
Wagner Souza/AAN

Ontem, o abaixo-assinado a favor do tombamento da árvore pelo Condepacc possuía quase 11,2 mil assinaturas

A Figueira centenária localizada na Estrada da Rhodia, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, está dentro de um projeto de diretrizes viárias da Prefeitura para construção de um retorno no trecho. Quem garante é um dos proprietários do empreendimento Residencial Vila Flor,
Maurício Rossi, que, inclusive, disse que o empreendimento doou uma área de 600 metros quadrados para que a Prefeitura realize o projeto de remodelação do trecho.
Os olhares dos internautas se voltaram para a Figueira na quinta-feira passada, quando um grupo de moradores deu início nas redes sociais a uma mobilização para preservar a árvore. O objetivo é pedir ao Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) o tombamento da figueira. Na edição de domingo, o Correio Popular publicou reportagem sobre o movimento.
Os moradores disseram que temiam uma suposta extração da figueira, após um deles observar a placa sobre o novo empreendimento nas proximidades. “A árvore é nossa referência e jamais tivemos intenção de arrancá-la. Houve um mal-entendido e até nos assustou quando vimos a reportagem”, disse Rossi.
Apesar de não ter detalhes de datas para a obra da rotatória, o empresário informou que o projeto existe desde 2012 ou 2013. Pelo projeto, está prevista uma rotatória tipo ferradura para retorno, com a construção de três faixas. O retorno é para entrada para o bairro. A Figueira ficará no centro desta obra.
O Residencial Vila Flor é vizinho à área particular onde está a Figueira, que ocupa toda a calçada da via. Segundo Rossi, os dois vizinhos ao seu empreendimento doaram, juntos, cerca de 1,7 mil metros quadrados para a Prefeitura, para a obra da rotatória. “A doação foi feita em 2018. Não somos contra a permanência da árvore no local. Pelo contrário, a queremos lá. Ela é bonita e chama a atenção”, frisou.
Segundo Rossi, a placa foi usada pelo empreendimento como alerta para investidores. Nela, foi citado o número de autorização da Prefeitura, caso alguém duvidasse da construção do Residencial. “A placa é uma publicidade e não para remover a árvore”, explicou.
De acordo com o empresário, para aprovação do empreendimento, que tem uma área de 2,1 mil metros quadrados de preservação ambiental, foi feito um acordo com a Secretaria do Verde, no qual foi estipulado que para cada árvore arrancada, seriam plantadas cerca de dez, em local determinado pela Pasta. No total, foram retiradas 77 árvores e serão replantadas 1.097, para o banco de árvores da Prefeitura.
Abaixo-assinado
A Figueira está na calçada de uma área ao lado do Residencial Vila Flor, em obras há um ano. Na quinta-feira passada, o músico Roberto Peres, conhecido como Magrão, passou pela via e viu a placa do empreendimento. Em dúvida, se a árvore fazia parte ou não do projeto, ele comentou com a enteada, a estudante de cinema Rafaella Whitaker, e ambos fizeram uma postagem nas redes sociais.
Em poucas horas, cerca de 600 pessoas expressaram solidariedade e, com apoio do ambientalista Manuel Bueno, que fez um abaixo-assinado, eles deram início a uma campanha on-line para pedir o tombamento da árvore, que tem mais de 100 anos. Até o início da tarde de ontem, o documento já contava com 11.185 assinaturas. O objetivo é atingir 15 mil até quarta-feira, quando o documento será entregue no Condepacc. O endereço do abaixo-assinado é http://chng.it/qCsRvzrM.
A Prefeitura foi procurada para comentar sobre o projeto da rotatória, mas em razão da emenda para o feriado da Padroeira, hoje, o expediente dos departamentos volta amanhã.

Origem: Correio Popular