Crise força fechamento de três escolas na cidade

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Sede do centen?rio Col?gio Progresso, em Bar?o Geraldo, que encerrou as atividades recentemente: derrota para a crise
Kam? Ribeiro/ Correio Popular

Sede do centen?rio Col?gio Progresso, em Bar?o Geraldo, que encerrou as atividades recentemente: derrota para a crise

O grupo Atmo Educação, que conta com 20 escolas e 11 mil alunos no Estado de São Paulo, fechou três unidades próprias recentemente em Campinas. Embora a empresa não tenha informado quais as razões do encerramento das atividades, funcionários demitidos revelam que o principal motivo teria sido a crise financeira provocada pela pandemia de covid-19, que aumentou de forma importante os índices de abstenção e inadimplência entre os alunos. Um dos estabelecimentos que baixaram as portas é o tradicional Colégio Progresso, que funcionava no distrito de Barão Geraldo. O grupo Atmo informou que remanejou os alunos das escolas fechadas para outras unidades.
Além do Colégio Progresso, também foram fechados o Curso Objetivo, localizado no Centro da cidade e que funcionava há 40 anos, e o Anglo Tamandaré, que operava há 15 anos no bairro Castelo. De acordo com o grupo Atmo Educação, os alunos remanescentes do Progresso foram remanejados para a unidade do bairro Taquaral, enquanto os do Objetivo foram alocados na do Cambuí.
A empresa, que também opera com o sistema de franquia, alegou que a medida buscou “assegurar as melhores condições de aprendizagem dentro da nova realidade, e essas mudanças reforçam o compromisso do grupo de continuar entregando educação de excelência em qualquer modelo de ensino oferecido”. Ainda que a notícia tenha causado surpresa em muitas pessoas, várias escolas particulares têm enfrentado dificuldades financeiras desde o início da pandemia, algumas intransponíveis.
De acordo com o diretor da regional de Campinas do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP), Antônio Francisco dos Santos, escola particular é como qualquer outra empresa. “Se não gerar lucro, quebra”, resume. Santos aponta como exemplo os custos que os estabelecimentos continuaram tendo durante a pandemia, mesmo com perda de receita. “Água e luz são contas insignificante perto da folha de pagamento. O maior patrimônio das escolas são os professores, e a manutenção desses profissionais representa um custo muito alto no Brasil. Ocorre que, sem professor bom, não tem escola boa”, analisa.
Além disso, o dirigente sindical lembra que, tal como outras empresas, as escolas precisaram investir em tecnologia para que se mantenham atualizadas e competitivas. “Isso não sai barato, principalmente quando há dificuldades para pagar as contas correntes. É muito triste ver uma escola fechar. É um sentimento que dói o coração, porque além dos empregos perdidos, trata-se de educação. Os fechamentos não estão ocorrendo somente em Campinas. A gente vê isso no país inteiro”, declara.
Ainda de acordo com Santos, as perspectivas para este ano no campo do ensino particular não são boas. “O cenário ainda está muito ruim”, define. A esperança, diz, fica por conta da vacinação da população e dos aprendizados tirados com a crise.
“Com a vacina, tudo tende a melhorar. Temos que ter fé para que as coisas se normalizem e que possamos aprender com tudo isso”.
No atual cenário, completa Santos, irão sobreviver as escolas que estavam capitalizadas antes da crise, que investiram em tecnologia e no treinamento dos professores para utilizá-las, adequando as aulas às novas plataformas digitais. A presidente do Sindicato dos Professores de Campinas (Sinpro) e região, Conceição Sornasari, afirma que “qualquer escola que fecha significa uma tragédia, porque causa desemprego, ainda mais em tempos de pandemia”. Conceição pontua que o Brasil vive um momento muito grave, com necessidade de vacinas. O Sinpro defende a inclusão dos professores entre os grupos prioritários de imunização.
Contraponto
Apesar das dificuldades operacionais e econômicas sem precedentes impostas pela pandemia da covid-19, o Colégio Oficina do Estudante registrou um crescimento de 8% no número de alunos matriculados em 2021, na comparação com o ano anterior. Além disso, está investindo na abertura de uma nova unidade no Jardim das Paineiras, próximo ao Shopping Iguatemi, com inauguração prevista para agosto.
Com esse novo investimento, a Oficina do Estudante, fundada em 1995, totalizará cinco unidades, transformando-se no maior grupo educacional de Campinas. Funcionam, hoje, duas unidades na Avenida Brasil, uma no Taquaral e outra no distrito de Barão Geraldo.
Segundo o professor Antunes Rafael, diretor pedagógico da escola, “a expansão em meio à crise atual confirma a solidez e força da marca e só é viável devido a um robusto e minucioso planejamento administrativo e educacional”. O docente afirma ainda que o colégio rapidamente se adequou à nova realidade. “A aplicação de algumas tecnologias e métodos de trabalho foram repensadas e adaptadas para garantir a manutenção e até aprimoramento da qualidade de ensino durante o isolamento social”.
Atualmente, o ensino na Oficina ocorre em sistema híbrido, com aulas presenciais e também de forma remota. “Somos uma escola inovadora. Grande, porém com foco no desenvolvimento individual do aluno. Realizamos ações constantes para assegurar essa meta, conduta que se traduz em confiança por parte dos pais na hora de escolher que educação querem oferecer a seus filhos”, declara. Cláudia Brogioni, mãe de uma aluna que estuda no colégio, elogia a estrutura e a qualidade de ensino da Oficina. “A melhor decisão que tomei na pandemia foi transferir minha filha para a Oficina, que está anos-luz à frente da maioria das escolas campineiras”, considera.

Origem: Correio Popular