CPFL testa painéis solares em Barão Geraldo

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CPFL instala painéis solares em Barão Geraldo.Janaína Ribeiro

CPFL instala painéis solares em Barão Geraldo.

Duzentos imóveis de Barão Geraldo, em Campinas, terão painéis solares até o fim do ano, instalados pelo projeto de pesquisa e desenvolvimento Telhados Solares, da CPFL Energia. Plantas-piloto devem ser instaladas este mês na Fundação Síndrome de Down e no Centro Cultural Brasil – Estados Unidos, ambos no distrito. Até a próxima semana, a empresa espera definir as outras 198 unidades residenciais e comerciais que receberão as placas fotovoltáicas.
“A intenção do projeto é estudar o impacto da inserção massiva de geração solar distribuída na qualidade do fornecimento de energia para os demais clientes que não possuem os painéis solares”, disse o diretor de estratégia e inovação da empresa, Rafael Lazzaretti. Com investimento de R$ 14,8 milhões e previsto para ser concluído em novembro do ano que vem, o projeto deve preparar o Grupo CPFL para o avanço da geração e distribuição de energia solar. “A gente consegue construir um laboratório real e desta forma simular uma situação que o Brasil vai vivenciar nos próximos dez a quinze anos”, afirmou Zaia.
O projeto está sendo desenvolvido em um trecho da rede elétrica que atende cinco mil clientes, na região da entrada de Barão Geraldo pela Av. Albino José Barbosa de Oliveira. A área foi escolhida pela proximidade com a sede da CPFL Energia e dos parceiros do projeto, a Unicamp e o CpqD. A universidade é responsável pelas simulações computacionais, avaliação dos impactos técnicos e capacitação técnica e formação de mão-de-obra para geração solar. O CpqD analisará, entre outros pontos, a proposição de modelos de negócio e mudanças na regulamentação do ponto de vista das questões técnicas.
Dentre as cinco mil unidades consumidoras, a empresa selecionou aquelas que se enquadram em critérios técnicos, como ausência de sombras no telhado, buscando diferentes níveis de consumo de energia para uma simulação mais próxima da realidade. A colocação das placas fotovoltaicas para as duas plantas piloto ficou a cargo da CPFL Eficiência, enquanto os demais beneficiados precisão pagar uma contrapartida, cujo valor será definido em leilão. Os pré-selecionados foram contatados e participam até o fim desta semana de uma série de palestras sobre o projeto e o leilão. “O que vai determinar o valor mínimo a ser pago é o próprio mecanismo do leilão, de acordo com o interesse dos clientes” , afirma Zaia.
As placas solares do projeto Telhados Solares terão capacidade total de 800 kWp, o suficiente para gerar 20% do consumo de energia do trecho. O Centro Cultural contará com uma usina solar de 4 kW, que fornecerá em torno de 36% do consumo mensal médio de energia. Já a Fundação Síndrome de Down terá dois sistemas de geração solar com capacidade de 10 kW cada, sendo capazes de atender 66,5% do consumo médio total de energia. Com o novo sistema de energia, a gerente administrativa da fundação, Eliana Benato, espera economizar de R$ 850 a R$ 900 na conta de energia por mês, reduzindo o déficit mensal da instituição e aliviando as ações de arrecadação de dinheiro. “Vai ser ótimo, ainda mais para um momento em que está difícil ter verba para o Terceiro Setor” , opina.
Contexto
O projeto Telhados Solares é desdobramento do projeto da Usina Solar Tanquinho, inaugurada em 2012 e considerada a maior em operação no Estado de São Paulo, com capacidade de 1,1 MWp. Com instalação da CPFL Serviços e operação da CPFL Renováveis, a usina permite a geração solar de grande porte, testando cinco diferentes tipos de tecnologias de painéis fotovoltaicos.
Atualmente, 28 imóveis residenciais contam com painéis solares em Campinas. Ao todo, o Grupo CPFL possui 95 usinas solares instaladas em clientes residenciais e comerciais, somando 623,5 kWp de capacidade, sendo 64 usinas no Estado de São Paulo e 31 no Rio Grande do Sul. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o parque gerador solar brasileiro somava ao fim de 2015, 46,3 MWp de capacidade, sendo 23,4 MWp em 1.065 projetos de microgeração e 22,9 MWp de usinas de grande porte. A instalação de pequenos geradores em unidades consumidoras com fonte solar, eólica, biomassa, hídrica ou cogeração qualificada foi autorizada pela Aneel em outubro de 2012.
Para contar com um sistema de energia solar em um imóvel, a CPFL Energia ressalta que é preciso contratar uma empresa de eficiência energética, que intermedia a compra do equipamento, e solicitar à distribuidora o parecer de acesso para que haja a instalação de um medidor de energia bidirecional. De acordo com a Empresa Brasileira de Energia Solar (Ebes), responsável pelos equipamentos da usina de Tanquinho, um sistema solar instalado custa em geral entre R$ 20 mil e R$ 50 mil com financiamento em até cinco anos direto com a empresa, sendo que o abatimento na conta de energia é suficiente para o pagamento total ou parcial das parcelas.

Fonte: Correio Popular