Cidade resiliente, Campinas moderniza Defesa Civil

243

Ações inovadoras são reconhecidas pela ONU e permitem reduzir danos em casos de desastres naturais.

Resiliência, ensina o dicionário, é a capacidade rápida de adaptação ou recuperação. No caso de Campinas, superação, como sugere a Fênix, ave mitológica que ressurge das cinzas e estampa a bandeira do município.

A imagem faz referência à história, de quando a cidade superou a epidemia de febre amarela no final do século XIX. Nos tempos atuais, as forças da natureza continuam impondo desafio à cidade.

O vertiginoso crescimento populacional das últimas décadas e a ocupação de áreas de risco aumentaram o número de comunidades vulneráveis a enchentes. Realidade que começou a mudar a partir de 2013, com a intensificação das ações da Defesa Civil.

A Prefeitura investiu em prevenção, adquiriu sensores de alerta e instalou 36 desses equipamentos em locais sujeitos a inundações. “Agentes comunitários foram treinados para fazer a medição dos níveis de chuva em tempo real. O sensor fica conectado a um aparelho eletrônico na residência do agente escolhido”, explicou o diretor da Defesa Civil, Sidnei Furtado.

Diretor da Defesa Civil de Campinas Sidnei Furtado confere sensor de alagamento (Foto: Toninho Oliveira/Divulgação)Diretor da Defesa Civil de Campinas Sidnei Furtado confere sensor de alagamento (Foto: Toninho Oliveira/Divulgação)

Outra medida foi remover famílias para moradias dignas, reduzindo em 64% o número de moradores em áreas de risco. Conjunto de ações que têm custeio garantido, entre outras fontes do Orçamento Municipal, pela arrecadação do IPTU.

Os trabalhos chamaram a atenção do Escritório de Estratégia para Redução de Desastres Naturais da ONU (Organização das Ações Unidas). E já em 2013, Campinas foi o primeiro município do Brasil a ser certificado como cidade modelo de boas práticas na construção para resiliência e para redução de riscos de desastres.

Pela definição da ONU, uma cidade resiliente é aquela que tem a capacidade de resistir, absorver e se recuperar de forma eficiente dos efeitos de um desastre e, de maneira organizada, prevenir que vidas e bens sejam perdidos.

Nesse sentido, a Defesa Civil tem papel fundamental e vem sendo modernizada pela atual gestão. Desde 2013, o órgão ganhou uma nova base operacional, novas viaturas e equipamentos. Recursos fundamentais para a execução de treinamentos que permitem a capacitação para o enfrentamento de desastres naturais.

Mais recentemente, Campinas ganhou um novo reconhecimento da ONU. Tornou-se a primeira cidade do Brasil a desenvolver o projeto em uma comunidade específica, no caso, com os moradores do Piracambaia II, em Barão Geraldo. O bairro rural é vulnerável às cheias do rio Atibaia.

TREINAMENTO

Além do rio, um complexo de dez lagoas aumenta o desafio para ações de resgate em situações de enchente. Para superar essas limitações, a Prefeitura de Campinas, em parceria com a Associação de Moradores do bairro Piracambaia II e o governo do Estado, desenvolveu um plano de salvamento de vidas que incluiu pessoas e animais domésticos.

No último dia 4 de fevereiro o plano foi posto à prova. A operação, considerada bem-sucedida, começou às 9h e terminou às 11h30. “É preciso agora manter a mobilização para que todo esse esforço renda bons resultados em uma situação de emergência”, afirmou Furtado.

O presidente da associação de moradores e professor do Instituto de Geociências da Unicamp, Paulo Pereira Brum, destacou que o apoio do poder público contribuiu de modo expressivo para qualificar as ações de socorro. “Tínhamos esboçado um plano aqui de forma amadora, com o reforço do poder público, conseguimos avançar de modo mais consistente. A Defesa Civil instalou em dezembro do ano passado um sensor de alagamento e ele já foi acionado no dia 17 de janeiro, alertando os moradores e facilitando ações de salvamento”, disse. Brum acrescentou que o próprio nome da região remete à vulnerabilidade quanto a alagamentos. “Piracambaia em tupi quer dizer ‘lugar onde o peixe desova’, o que já dá uma ideia das condições locais”, complementou.

O treinamento serviu para os diversos órgãos envolvidos refinassem sua estratégia de ação. A Defesa Civil de Campinas inspecionou o sensor de alarme e supervisionou o entrosamento entre os diversos órgãos. A Sanasa contribuiu com a instalação de um reservatório coletivo de mil litros de água potável para ser usado em caso de isolamento da comunidade. A Secretaria de Comunicação esteve no local para discutir a produção de material de orientação para a comunidade.

O projeto Comunidade Resiliente dará início ainda este ano à qualificação de outras áreas da cidade que apresentam vulnerabilidades. O objetivo final é melhorar a capacidade de resposta do município a situações de risco.

Equipe da Defesa Civil percorre o bairro Piracambaia 2 (Foto: Créditos: Divulgação)Equipe da Defesa Civil percorre o bairro Piracambaia 2 (Foto: Créditos: Divulgação)

Fonte: G1 – Cidade resiliente, Campinas moderniza Defesa Civil – notícias em Campinas Agora