Casarão de Barão Geraldo ganha verba extra

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Entrada do Centro Cultural Casarão, um dos 20 espaços selecionados na categoria Cultura em Redes Janaína Ribeiro/AAN

Entrada do Centro Cultural Casarão, um dos 20 espaços selecionados na categoria Cultura em Redes

Manter um espaço cultural com programação variada e sem subsídio não é tarefa fácil. Mas o coletivo que tomou para si a responsabilidade de tocar o Centro Cultural Casarão, em Barão Geraldo, tem bons motivos para comemorar neste final de ano. O Casarão acaba de ser contemplado por edital do Ministério da Cultura (MinC) na categoria Cultura em Redes e vai receber um prêmio de R$ 50 mil (líquido). “Estamos muito felizes. Concorremos com coletivos do Brasil todo, foram em torno de 280 inscritos e apenas 20 selecionados. Ficamos em terceiro lugar entre os 13 primeiros selecionados, já que dez grupos empataram com a mesma pontuação. É um reconhecimento por um trabalho que desenvolvemos há quatro anos no espaço”, afirma o músico Alexandre Freire, o Alê, integrante do coletivo.

“É uma excelente notícia, que compensa todo o sacrifício para manter o espaço em atividade”, diz Neusinha Aguiar, coordenadora do centro cultural. O Casarão é cedido pela Prefeitura, que arca com os salários de duas funcionárias e o pagamento das despesas básicas de água, luz e telefone. “Outros serviços terceirizados não chegam até nós. Despesas com faxineira e manutenção são custeadas pelo coletivo e pelo que arrecadamos ‘no chapéu’ com as apresentações”, explica Neusinha. O Casarão não tem cobrança de ingressos, mas pede-se a contribuição espontânea do público após as apresentações, para auxiliar com as despesas de manutenção do espaço.
A luta para manter o espaço cultural em atividade vem de longa data. No governo do então prefeito Hélio de Oliveira Santos, cogitou-se a cessão do espaço para o Instituto de Previdência Social de Campinas (Camprev), mas a mobilização dos artistas e moradores de Barão Geraldo impediu a concretização da medida.
Foi nessa época que o coletivo se firmou e passou a coordenador as atividades do Casarão. “Temos algumas regras para a participação, mas o coletivo é aberto a quem se interessar. Fazemos reuniões mensais para pensar as ações e fechar a agenda de uso do espaço”, diz Alê, citando que os membros do coletivo também se cotizam para arcar com algumas despesas de manutenção.
Com os recursos do prêmio será possível fazer uma reforma básica no local. “A ideia é reformarmos a sala da frente, que usamos para ensaio e precisa de reparos no telhado, janelas e pintura. Também queremos colocar um piso especial para o trabalho corporal”, coloca Neusinha. “Um dos motivos de não termos mais atividades de dança no Casarão é a falta de um piso adequado, problema que vamos tentar sanar”, reforça a bailarina e diretora Rosana Baptistella.
Após o recebimento dos recursos, o coletivo tem um prazo de 180 dias para prestar contas de sua utilização. “Tem muito a ser feito no Casarão, telhado, parte elétrica. É um espaço lindo, arborizado, mas que precisa de melhorias. Esses recursos são insuficientes para tudo que precisa ser feito, mas já é um bom começo. O mais importante não é o valor, mas o reconhecimento do trabalho coletivo”, conclui Alê.

Fonte: Correio Popular