Barão Geraldo: uma região singular

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Dominique Torquato/AAN

“Como dogwalker, costumo andar com os cachorros por Barão Geraldo, principalmente, pela Unicamp, por ser um espaço amplo, bom para correr e com segurança. Quando estou de folga, trago meus cachorrros para passear” – Isis da Costa RissO Na imagem: Ciclovia em Barão Geraldo, na cidade Universitária. Foto: Dominique Torquato aan

Caminhar, pedalar, passear com o cachorro, colher frutas no pé. Essas são cenas comuns em Barão Geraldo, distrito formado por 64 bairros e habitado por cerca de 55 mil pessoas, além da população flutuante, que é atraída pelas universidades e pelos complexos hospitalares e faz esse número chegar a 150 mil. Apesar do alto contingente humano, o lugar é tranquilo, emana simplicidade e traz a natureza para o dia a dia com suas dezenas de praças, canteiros e parques arborizados. Concomitantemente, é referência em ciência e tecnologia nas áreas de educação, saúde e desenvolvimento. O resultado dessa combinação é uma região singular, com peculiaridades culturais, efervescência artística e uma sociedade distinta da do Centro.
Barão foi elevado a distrito em 30 de dezembro de 1953, mas sua história começou a ser contada no século 18, mais precisamente em 1779, quando foi registrada a última sesmaria da região de Campinas. A propriedade, área onde hoje está Barão, foi doada pelo conselho ultramarino à família do brigadeiro Luís Antônio de Sousa Queirós e nela se instalou o Engenho Nossa Senhora do Carmo do Morro Alto.
Foto: Dominique Torquato/AAN

Vista da área central de Barão Geraldo nos anos 70: transformação

Vista da área central de Barão Geraldo nos anos 70: transformação

Geraldo Ribeiro de Sousa Resende, a quem se deve o batismo do distrito, nasceu em 19 de abril de 1846, no Rio de Janeiro. Filho do marquês e da marquesa de Valença, Estevão Ribeiro de Resende e Ilídia Mafalda de Sousa Resende, foi enviado jovem a Campinas para se dedicar à agricultura na Fazenda Santa Genebra, que pertencera à família da mãe.

Do cultivo à vida política, foi chefe do Partido Conservador em Campinas, vereador e deputado. Nesse período, recebeu os títulos de Comendador e de Barão de Iporanga, dado por D. Pedro II, e por conta própria resolveu adaptá-los a Barão Geraldo de Resende. Após a Proclamação da República, Geraldo passou a se dedicar integralmente à fazenda até 1º de outubro de 1907, quando morreu, aos 61 anos.
Registros históricos
Em 31 de dezembro de 1980, o jornal Correio Popular informou que o distrito havia sido formado pelas fazendas Santa Genebra e Rio das Pedras. De acordo com a publicação, a Rio das Pedras prestou sua contribuição em extensão territorial, “uma vez que metade da área urbana do distrito está assentada sobre a gleba que pertenceu a esta fazenda”. A Santa Genebra, por sua vez, contribuiu nas áreas política e socioeconômica.
Três anos depois, o extinto periódico Diário do Povo confirmou o caráter territorial das duas propriedades nas quais nasceu a história de Barão Geraldo e afirmou que havia uma confluência de regiões e estradas: a velha estrada de Cosmópolis e a dos fazendeiros (Rhodia). “Era uma área de chacareiros e leiteiros.”
O mesmo jornal publicou que, em 1970, Barão Geraldo tinha cerca de 7,5 mil habitantes na área urbana e o restante na rural; em 1975, esse número subiu para 12 mil. Passados cinco anos, de acordo com o Correio, a população somava mais de 19 mil pessoas e o distrito era composto por dez bairros. Nessa época, a região já era servida por redes de água e esgoto, asfalto e iluminação pública. Na educação, contava com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). O crescimento foi exponencial.
Foto: Dominique Torquato/AAN

"As pessoas estão esgotadas de shopping. Espero que a revitalização da praça sirva de modelo para outras da cidade" - Valdir dos Santos, comerciante que "adotou" a Praça do Coco

“As pessoas estão esgotadas de shopping. Espero que a revitalização da praça sirva de modelo para outras da cidade” – Valdir dos Santos, comerciante que “adotou” a Praça do Coco

Para a família inteira

As áreas verdes se destacam em meio à paisagem de Barão Geraldo e são diariamente ocupadas pelos moradores, que passeiam com seus cachorros, levam os filhos para brincar e colhem frutas das árvores. Praças e canteiros também são utilizados como museus e casas de espetáculos a céu aberto, já que artistas costumam mostrar seus trabalhos nesses locais.
Talvez o mais conhecido e frequentado desses espaços seja a Praça do Coco, batizada oficialmente de Irmã Carmela Stecchi. O apelido é “culpa” de Valdir dos Santos, que em 1999 começou a vender água de coco no local usando uma Kombi. Ele conta que, naquela época, a praça tinha muito mato e pouco espaço livre para entretenimento. Aos poucos, seo Valdir construiu quiosque, parquinho para crianças, aparelhos de ginástica, fonte e palco. “Adotamos a praça com o objetivo de trazer a família para cá”, diz.
A consequência desse empenho está na alegria de Catarina, de 3 anos, que mês passado se divertiu nos brinquedos sob o olhar atento do pai, o gerente administrativo Carlos Eduardo Bonato. “Sou de São Bernardo, mas minha sogra mora em Barão Geraldo e sempre que a visitamos tenho que trazer minhas filhas à Praça do Coco. A mais velha, Valentina, não pode estar, mas elas adoram. A praça está bem conservada, é um ambiente bacana e familiar”, afirma. Pai e filha representam um comportamento destacao por Valdir. “As pessoas estão esgotadas de shopping. Espero que a revitalização da praça sirva de modelo para outras da cidade”, diz ele, orgulhoso de ter preservado as árvores do local. Até construiu uma ponte para “salvar” as raízes de um exemplar e no tronco colocou um código que, com o aplicativo específico, permite conhecer as características da espécie.
Foto: Dominique Torquato/AAN

Carlos Eduardo Bonato com a filha Catarina: visitas à casa da sogra incluem idas à praça

Carlos Eduardo Bonato com a filha Catarina: visitas à casa da sogra incluem idas à praça

Você sabia?

Em 1935, foi instalada a iluminação domiciliar em Barão Geraldo. A rede pública de energia elétrica chegou ao local em 1950, três anos antes de ele ser considerado oficialmente distrito de Campinas.
Já visitou a mata?
Segunda maior floresta urbana do Brasil, com 2.51,7 hectares de área, a Mata Santa Genebra abriga cerca de 600 espécies vegetais e 800 animais, entre mamíferos, aves, anfíbios, répteis, peixes e insetos. Uma das atrações do local é o borboletário, onde esses insetos são criados para estudos. Em 1985, foi nomeada Área de Relevante Interesse Ecológico pelo governo federal. Maior remanescente de Mata Atlântica de Campinas, a mata é palco de muitas pesquisas que permitem conhecer melhor as espécies que nela habitam.

Fonte: Correio Popular