Barão Geraldo: separar pra não crescer

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Meu artigo publicado na página A2 do Correio Popular desta segunda-feira, 16 de novembro

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Só vamos salvar um pouco da natureza existente se transformarmos o distrito num município independe de Campinas e da sanha dos especuladores imobiliários.

Não é de hoje que o distrito mais rico de Campinas vem sofrendo com o abandono e o menosprezo dos administradores municipais.

O atual prefeito sequer compareceu ao debate entre candidatos em 2012 no Centro Comunitário do distrito. Tinha coisa mais importante pra fazer. E o fez, logo que eleito e ao fim do governo “Serafim o breve”, rasgou o artigo 82 da LOM, em que os subprefeitos seriam escolhidos diretamente pela população, passando a indicação a Carlos Sampaio.

O governo Hélio também foi um desastre em termos ambientais e por ironia, ganhou até prêmio de gestão ambiental pelo corredor do ribeirão das Pedras capitaneado pelo ex super genro e subprefeito à época Thiago Ferrari. Enterraram numa faixa de oitocentos metros do que foi chamado de Parque Linear Ribeirão das Pedras, R$ 36 milhões de reais da Petrobrás. Hoje o mato e o descaso tomaram conta daquele barranco.

Mas credito o pior dos monstros criados naquele governo, indicado inclusive pelo promotor do Meio Ambiente, foi a figura abjeta do secretário Paulo Sergio que liberou o Shopping Parque Dom Pedro e o Santander entre outros impactos em nossa região.

Ora, a Fazenda Santa Genebra é uma “Gleba Não Cadastrada” e tudo o que foi construído sobre suas terras está em situação irregular, inclusive o Shopping Parque Dom Pedro e o prolongamento da Avenida Guilherme de Campos, inaugurada em 2008.

Por algum tempo conseguimos barrar a construção do reserva Dom Pedro, um condomínio para 24 mil pessoas na Fazenda Santa Genebra e também o Condomínio Fazenda Santa Paula para 30 mil pessoas às margens do Rio Atibaia. Nem a prefeitura e nem empreendedores não desistiram daqueles projetos que nenhum morador do distrito quer.

Agora o governo municipal resolve aprovar na correria, seguindo interesses empresariais, uma nova LUOS – Lei de Uso e Ocupação do Solo – atropelando o Plano Diretor e evocando uma grande especulação imobiliária na cidade. Os distritos de Sousas e Barão Geraldo serão os mais afetados por essas mudanças.

Por essa nova LUOS, Barão Geraldo poderá ter a construção de prédios de sete a quarenta andares, triplicando a população do distrito em até dez anos. Se já temos problemas de segurança pública, saúde e mobilidade, dentre muitos outros, qualidade de vida vai ser coisa do passado.

Ninguém por aqui é contra o desenvolvimento, mas queremos direcioná-lo para as aptidões do atual distrito. Não queremos uma ou duas novas cidades dentro do nosso território.

Queremos sim, desenvolver nossa cultura, nossa educação, nossa saúde e ter segurança pública, transporte público e tudo mais, para proteger o futuro de nossos filhos e netos.

Quem viver verá e o vizinho campineiro há de agradecer todos os dias a proteção e qualidade que damos ao ar que ele respira.

Renato César Pereira – Químico e Biólogo

Coordenador do Movimento Emancipa Barão

Fonte: Barão Geraldo: separar pra não crescer | Blog do Renato César Pereira