Associação vai recorrer da proibição, pelo MP, do Berra Vaca em Barão Geraldo

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Após meses de negociação e apenas um dia antes, o Ministério Publico aceitou o pedido do Comandante da 8º BPM e proibiu, pelo segundo ano consecutivo, a realização da 14ª Picareta Berra Vaca – a mais antiga tradição carnavalesca de Barão ainda existente – que sairia amanha, 22/8, a partir das 23 horas, da Praça do Coco.

Não adiantaram todas as garantias do diretor de Cultura e do Secretario Ney Carrasco de apoio declarado à manifestação, nem todas as reduções e garantias da Associação Cultural Berra Vaca promotora do evento. Em seu oficio 848/15, o Ministério Publico sequer levou em consideração dos organizadores ou da prefeitura e apenas as informações usadas pela Polícia basicamente acusando a “não tradição” do Bloco e a violência contra lojas em carnavais anteriores.

A Nota do Ministério publico apenas narra os argumentos apresentados pelo Tenente Coronel da 8ª BPM Marci Elber Maciel Rezende da SIlva, de que “em anos anteriores” o evento foi questionado por “moradores” que não reconhecem como manifestação cultural tradicional, incomodando os “moradores” com “barulho, lixo e problemas no transito”.

A nota do MP cita a descrição da reunião realizada na sede da PM, em que os policiais se contradizem ao dizerem que os organizadores são “amadores” e irresponsáveis e ao mesmo tempo que são “empresários” comerciais ou profissionais que segundo eles se contrapõe com o carater “artesanal” da Micareta, por não apresentarem os “documentos” exigidos pela PM e Policia Civil (que significa grandes gastos) e que não tem apoio oficial da Secretaria de Cultura apenas “aparente”.

Além disso, disse que em 2014 ninguém se manifestou contra a proibição (apenas os organizadores) e que as ruas não são adequadas à manifestação (que já ocorre desde 1999), não tem previsão, planejamento e não fiscaliza a entrada de menores de idade e que precisam. e que tudo se resolve com um “alvará”.

Para reforçar a proibição, o MP cita apenas diversas notícias de “vandalismo”, assaltos, violências e de menores vendendo produtos em Carnavais anteriores (de fevereiro de 2014 e 2015) tentando relacionar tais ocorrencias com o Berra Vaca, apenas por acusações e refenecias unilaterais.

Por fim, o promotor Valcir Paulo Kobori, ameaça que “responsabilidades poderão ocorrer” às autoridades por omissão ou por apoiarem o evento alegando: “O sr Secretário Municipal de Cultura já tem conhecimento dos riscos da realização do evento e da discordância dos moradores, presumindo-se em razão desse ofício , também o conhecimento do Prefeito Municipal”.

A Associação Berra Vaca negou e classificou de “irreais e preconceituosos” os argumentos apresentados pelas polícias e qualquer prova de responsabilidade nos atos de violência ocorridos em Carnavais anteriores e disse que irá recorrer judicialmente da decisão. Mas que irá acatar a ordem para esse sábado. Até que decisão superior final seja tomada respeitando os direitos dos moradores se manifestarem pelas ruas em que vivem.

picareta

Alega que tomou todas as medidas possíveis a tempo, reduziu o tempo e o tamanho do percurso, solicitou apoio não só da Secretaria de Cultura, como da SETEC, Samu, Bombeiros, GCM e das próprias polícias, para o pedido do Alvará, mas alega que além de falta de recursos para bancar algumas exigências absurdas, que está havendo cerceamento da liberdade de manifestação garantida pelo artigo 5º da Constituição e por parte da própria Prefeitura e moradores e que sendo alvo de divergências e preconceitos internos da própria prefeitura e perseguições acusações sem provas.

Segundo um dos coordenadores da Associação, o músico Inácio Berra Vaca, é importante demonstrar que trata-se de uma manifestação de alegria e pacífica que não tem a ver com carros de som amplificados, repudia violências das quais desconhece e que só tem como objetivo fortalecer a amizade e o respeito entre baronenses que sempre foi uma marca cultural de Barão Geraldo e nunca para prejudicar ou incomodar ninguém.

“Queremos apenas o direito de demonstrar e fortalecer essa riqueza cultural que sempre foi nossa característica e da qual nós fazemos parte! Temos orgulho de ter sido um dos pioneiros do Carnaval de Barão, que tem uma tradição cultural forte e que hoje é reconhecidamente um dos melhores da região!” – disse Inácio, salientando que a Picareta “é um direito de todos nós como baronenses de usarmos as ruas pacificamente”.

Inácio garantiu que há preocupação com a segurança e organização com o incomodo, dizendo que reduziu o percurso justamente para isso. E que cada ano será em locais diferentes. (Do JB)

Fonte: Associação vai recorrer da proibição, pelo MP, do Berra Vaca em Barão Geraldo | CartaCampinas