À espera de reforma, moradia da Unicamp tem problemas elétricos, goteiras e risco de desabamento

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Após entrega de laudo estrutural em atraso, administração deve analisar documentação em até 10 dias corridos para decidir próximos passos. ‘Preocupação constante’, dizem moradores.

Rachaduras em casa do bloco B, interditada por risco de desabamento há oito anos — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

Rachaduras em casa do bloco B, interditada por risco de desabamento há oito anos — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

À espera de reformas estruturais, a moradia estudantil da Universidade de Campinas (SP), no distrito de Barão Geraldo, enfrenta problemas elétricos, goteiras e infiltrações recorrentes, além de risco de desabamento em cinco unidades habitacionais interditadas. Ao G1, moradores relataram insegurança frente à falta de infraestrutura.

“Depende muito de onde o estudante mora, porque cada casa apresenta um problema mais ou menos grave. Eu particularmente, desde me tornei RD [representante discente] e que me dei conta dos problemas estruturais da moradia, tenho sentido medo por todos que moram aqui, é uma preocupação constante”, afirma uma estudante, que preferiu não ser identificada pela reportagem.

 

A aluna e integrante da organização estudantil “Mobiliza Moras” relata ainda que os problemas elétricos são, atualmente, o principal alvo de preocupação dos residentes. Na semana passada, falhas no cabeamento de alta tensão deixaram 11 unidades habitacionais sem energia elétrica por três dias.

“É chuveiro que pega fogo, tomada que pega fogo. […] Ano passado a moradia fez 30 anos que foi entregue, e nunca fizeram a troca da fiação. […] É uma coisa que a gente já tem registrado com a instituição, já tem falado sobre esses problemas”, ressalta.

 

Estrutura em bloco interditado é mantida por vigas de madeira — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

Estrutura em bloco interditado é mantida por vigas de madeira — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

‘Falta acolhimento’

 

Além das questões elétricas, os estudantes apontam problemas de infiltrações, sujeira nas caixas d’água e larvas saindo da torneira. Carlos Alberto da Silva, estudante de licenciatura integrada em química e física, reside na moradia estudantil há sete anos e chegou a fazer reclamações diretamente ao Conselho Universitário sobre a qualidade da água.

“Briguei para que as caixa d’água fossem limpas, coisa que nunca fizeram até eu oferecer água suja da torneira na mesa do reitor. […] Hoje, ao limpar o quintal, me deparo com larvas da dengue saindo da torneira”, relata o estudante.

 

Outro problema relatado pelos denunciantes se refere ao bloco B, onde cinco residências foram interditadas há cerca de oito anos por risco de desabamento e, desde então, não receberam as reformas previstas pela administração.

“Em 2014, quando eu optei em vir para a Unicamp, eu poderia ter optado em ficar na Ufscar, em São Carlos, porque eu passei lá, mas eu vim para cá porque eu sabia que eu ia ter uma condição, porque eu tive que deixar meu emprego. […] Acho que falta isso para a comunidade, o acolhimento mais de perto”, pontua Carlos Alberto.

 

Infiltrações são constantes, denunciam moradores — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

Infiltrações são constantes, denunciam moradores — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

Parecer técnico

 

Segundo a coordenadora executiva da moradia estudantil, Eliete Maria Silva, as reclamações referentes à estrutura são consideradas “usuais”, principalmente devido ao tempo de existência da habitação. “A gente já tem 30 anos de construção, e a construção foi feita num momento em que a gente não tinha tanta demanda eletroeletrônica”, explica.

Diante das frequentes reclamações, uma empresa foi contratada por meio de licitação para realizar um laudo técnico de toda a estrutura da moradia. O documento, entregue na segunda (1º) após mais de um mês de atraso, será analisado pela área técnica em até dez dias corridos a fim de decidir se serão realizadas reformas pontuais ou a reconstrução de parte da estrutura.

“A gente está agora em uma etapa de, a partir do laudo, fazer o orçamento dessas duas opções e analisar institucionalmente o que é factível […] A gente está em final de gestão, com o orçamento da universidade super no limite por conta da pandemia, e toda essa sobrecarga no quesito de saúde, enfim, muitas coisas pra analisar”, afirma a coordenadora.

 

Próximos passos

 

Em nota, a divisão de Manutenção da prefeitura da Cidade Universitária ressaltou que, a partir da análise do documento, “poderão ser realizados os apontamentos que a área técnica julgue necessário junto à empresa até que seja atendido o objeto contratado”.

Ainda segundo a instituição, “terminadas as tratativas junto à empresa e, a mesma atendendo ao solicitado, posteriormente, daremos o aceite e o recebimento do objeto contratado”. Para a coordenadora executiva Eliete Silva, a expectativa é de que a reforma seja finalizada em menos de cinco anos.

“É uma demanda antiga, a universidade conhece e eu acho que é super factível. […] Há um compromisso institucional com a permanência estudantil, com a preservação da moradia, e a equipe tem trabalhado muito arduamente nessa direção”, pontua Eliete.

 

Casa do bloco B, interditada por risco de desabamento — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

Casa do bloco B, interditada por risco de desabamento — Foto: Mobiliza Moras/Acervo

Origem: À espera de reforma, moradia da Unicamp tem problemas elétricos, goteiras e risco de desabamento | Campinas e Região | G1